A confiança do setor de comércio voltou a recuar no trimestre encerrado em
janeiro, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), mas num ritmo menor, o que
para a entidade sugere uma "evolução favorável" nas perspectivas para
o setor.
O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) recuou 5,8 por cento no trimestre
findo em janeiro contra o mesmo período do ano anterior, informou a FGV nesta
terça-feira, alcançando 126,1 pontos.
Para a FGV, no entanto, o desempenho no período apresentou uma
"evolução favorável", já que nos três meses findos em dezembro o
indicador apontou queda de 6,8 por cento sobre um ano antes, aos 128,4 pontos.
A entidade avaliou que o resultado confirma a recuperação gradual do
comércio, influenciada pelo varejo. "Não só a política monetária tem
estimulado o comércio, mas há políticas setoriais que rebatem no comércio, como
a flexibilização de medidas macroprudenciais e para o setor da construção civil",
disse o economista da FGV, Aloisio Campelo.
Um exemplo dessa recuperação é o setor de móveis e eletrodomésticos. Em
janeiro, o ICOM desse segmento subiu 7,5 por cento e, no trimestre, 1,9 por
cento. Só em janeiro ante ao mesmo mês do ano passado, o índice saltou 20,2 por
cento em janeiro, depois de alta 10,2 por cento dezembro em relação ao mesmo
mês do ano anterior.
No Varejo Restrito, houve queda anual de 3,4 por cento no trimestre findo em
janeiro, menos que a taxa negativa de 5,6 por cento registrada nos três meses
até dezembro. No Varejo Ampliado, a queda no trimestre encerrado em janeiro foi
de 4,5 por cento, abaixo do recuo de 6,7 por cento em dezembro.
"A economia já deu sinais de uma recuperação gradual, e o varejo
tradicional foi o que mais reagiu", afirmou Campelo, acrescentando que os
juros mais baixos já começam a ter efeito na demanda do comércio varejista.
O Atacado, por outro lado, sofreu tombo de 8,6 por cento nos três meses até
janeiro, ante queda de 7,0 por cento na mesma comparação até dezembro. "O
atacado atende comércio e indústria, e, como a indústria está ainda num
processo de ajustamento de seus estoques, isso pode ter influenciado nas
repostas do comércio", segundo Campelo.
Na visão do economista da FGV, é possível que a recente melhora no varejo se
traduza em encomendas para o atacado em breve.
O Índice de Situação Atual (ISA-COM) médio -que mede a percepção do setor em
relação à demanda no momento atual- recuou 8,0 por cento no trimestre encerrado
em janeiro na comparação com o mesmo período do ano passado. Nos três meses até
dezembro, houve queda de 9,7 por cento.
Na média do trimestre findo em janeiro, 27,1 por cento das empresas
avaliaram a demanda como forte e 19,9 por cento como fraca. No mesmo período de
2011 esses percentuais eram de 29,5 por cento e 13,0 por cento,
respectivamente.
O Indicador Trimestral do Índice de Expectativas (IE-COM), por sua vez,
mostrou que as expectativas dos empresários continuam menos favoráveis para os
próximos meses. O índice recuou 4,0 por cento em janeiro ante o mesmo período
do ano passado, num desempenho menos negativo que o registrado em dezembro
(-4,6 por cento).
Segundo Campelo, a exemplo da economia, o setor varejista deve ter um ritmo
mais forte na transição do primeiro para o segundo semestre. "Poderemos aí
voltar a ter números positivos para a confiança. O comércio vai voltar aos
poucos, assim como atividade econômica", afirmou.
Fonte: Reuters