A cada
explosão de visualizações e comentários nas redes sociais a respeito de um
evento qualquer, muitos empreendedores carentes de capital, mas cheios de
ideias inovadoras, gostariam de vivenciar a mesma audiência. Não é fácil.
Porque
a concorrência com as situações virais na internet, seja um vídeo ou um fato do
cotidiano, têm sempre o componente do humor, do escândalo e do inesperado.
Não
precisamos comprometer nossos projetos vinculando nossa marca e,
principalmente, nossos propósitos, com humores duvidosos ou apelando para
escândalos.
Mas
podemos criar um pequeno grupo de trabalho com nossos sócios, colaboradores
mais diretos e clientes que nos levam a sério a ponto de aceitarem um convite
para trocar ideias estratégicas.
E, a
partir dessa troca de ideias, criar uma sequência de fatos inesperados para
contagiar nossa clientela.
Mas
como me ensina Celso Amâncio, ex-diretor de crédito da Casas Bahia e
ex-presidente do Banco Carrefour, no Brasil, uma empresa só contagia os
clientes se seus funcionários forem contagiados antes.
De
maneira sistemática a ponto de deixar claro para cada contato que esses
funcionários estabelecem, dentro e fora da companhia, que assumem, de verdade,
o presente e o futuro da empresa.
É dessa
interação permanente entre profissionais que são respeitados a ponto de provar
sua alegria de participar das estratégias da empresa, de honrar seus produtos e
serviços, de apostar em relacionamentos honestos com a clientela que surgirão
vários fatos surpreendentes.
Quando
a dúvida do cliente é, de verdade, uma dúvida assumida pelo profissional que o
atende, se concretiza uma situação inesperada. Que será comentada em casa e nas
vizinhanças, divulgada nas redes sociais e que impressionará, acredite, clientes
que ainda não estão no seu radar.
Por
que, então, os empreendedores, mesmo com pouco capital, preferem gastar o que
não têm para alavancar sua presença nos algoritmos de busca da internet?
Talvez
a resposta esteja no fato de, ao apostarmos numa empresa viral, tenhamos de nos
envolver de corpo e alma primeiro com nossos parceiros de negócio. Sejam eles
fornecedores, colaboradores ou essa nuvem indeterminada que chamamos de
clientela.
Mesmo
quando uma nova empresa surpreende de maneira viral sua cadeia produtiva, mais
do que certeza e apoio, gera dúvidas. Afinal, é uma raridade isso acontecer.
De
novo, é exatamente por ser raro, que o empreendedor que investir sua vida nas
vinculações com seus fornecedores e pessoal de apoio, acabará, com o tempo, transformando
sua empresa ou sua marca numa repetição viral.
Um
empreendedor que não tenha o constrangimento de copiar, descaradamente,
Vinícius de Moraes, quando escreve: "No tempo do quando, poesia é
fundamental/É preciso que haja qualquer coisa de louco e lírico em tudo/Uma
saudade inesperada, um escocês ao alcance da mão e/uma larga esperança de
um mundo mais decente".
Será
que conseguimos gostar de nossa empresa, de cada etapa que a torna real, desde
o fornecedor até o cliente que não conhecemos, a ponto de nos entregar, até
mesmo poeticamente, àqueles e àquelas que se aproximam do nosso empreendimento?
Para
comprar, para vender, para nos ajudar a nos tornar virais? A ponto de criarmos
"uma larga esperança de um mundo mais decente"?
Fonte: UOL Notícias
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